Aquiles Reis (Critica/ Review) - Brasil and Brazilian midia in the US

Diário do Comercio (SP), Meio Norte (Teresina), Jornal da Cidade (Poços de Caldas), A Gazeta (Cuiabá) and Brazilian Voice

Os três mosqueteiros da música brasileira

Guinga e Chico Buarque são compositores atemporais, suas músicas estão entre as que se perenizarão, cada vez mais, ao longo da história. Graças a seus talentos incontestes, são amados e tidos, pela grande maioria, como modelos musicais; mas são também contestados, há quem os veja como passadistas.
O pianista e compositor Antonio Adolfo aderiu àqueles que distinguem a importância dos dois. E ao dedicar seu novo disco a uma parte de suas obras, Antonio avaliza seus talentos. Ao homenageá-los lançando Chora Baião (Antonio Adolfo Music), ele lança um novo olhar sobre eles. E para melhor assim ser, lá está sua musicalidade latente nas onze faixas do CD: cinco músicas do Guinga, sendo duas só dele e três em parcerias com Buarque, Celso Viáfora e Aldir Blanc; três do Chico e três do próprio Antonio Adolfo.
Para realizar o trabalho, foi arregimentado um time de larga experiência e de alta qualidade: Leo Amuedo (guitarra), Jorge Helder (baixo), Rafael Barata (bateria), Marcos Suzano (percussão) e Carol Saboya (vocais), além do irrepreensível piano do dono do pedaço. Ao privilegiar os ritmos que dão título ao CD (o choro e o baião – gêneros nos quais Guinga e Buarque são mestres), ele faz com que o conjunto tenha uma unidade que só faz aguçar o prazer de ouvi-lo.
A guitarra de Amuedo é movida a concisão: os solos são exemplos do menos que é muito mais. Seu intermezzo em “Dá o Pé, Loro" (Guinga), modelo de como a técnica e a emoção podem e devem andar juntas, eleva-o a uma categoria ímpar em seu ofício.
O baixo de Jorge Helder traz a segurança de que todo grupo carece para se fazer mais suingado e coeso. Basta ouvir “Morro Dois Irmãos" (Chico Buarque) e sacar a justeza da pegada do cara.
A percussão de Marcos Suzano, principalmente quando ele está ao pandeiro, impregna de brasilidade até samba de roda composto e tocado por dinamarqueses (com todo o respeito a eles, claro!). Para não dizerem que minto, lá estão ele e o pandeiro, brilhantes, em “Di Menor" (Guinga e Celso Viáfora).
A bateria de Rafael Barata soa com a precisão dos grandes bateristas. Sua leve levada nos pratos, sem deixar que o som se espalhe em demasia em “Gota D’Água" (Chico Buarque), atesta isso.
Carol Saboya participa cantando “Você, Você" (Guinga e Chico Buarque). Sua voz, de afinação cristalina, está bem avivada pelo piano paterno que a acompanha como se a levasse pela mão num passeio à beira-mar.
E tem tudo isso e muito mais. Pule de dez, tinha tudo para dar certo um CD no qual Antonio Adolfo se dispôs a juntar seu talento ao de Chico e Guinga. Deu! Discaço! Pois, convenhamos, som contemporâneo é a melodia rica que emoldura a harmonia iluminada por versos e/ou por instrumentos; som moderno é o talento que se revitaliza a cada acorde. Modernos e contemporâneos são Chico, Guinga e Antonio, eles que estarão sempre um passo à frente da modernidade de fancaria, sempre um compasso adiante do modismo de mercado.
Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

English

THE THREE MUSKETEERS OF BRAZILIAN MUSIC


Guinga and Chico Buarque are timeless composers whose songs are among those that will gradually become eternalized throughout history. As a result of their unquestionable talent both composers are held by the vast majority of their audience as musical icons, even though some may consider them as part of the old school.
The pianist and composer Antonio Adolfo adheres to those who honor both Guinga and Chico Buarque. Furthermore, Antonio Adolfo endorses their talents by paying tribute to some of their compositions in his album. With the release of Chora Baião (Antonio Adolfo Music), he adds a fresh dimension to their talents. To add icing on the cake, the brilliance of his musicality lies latent throughout the eleven tracks in his album, featuring: five songs by Guinga, two of them composed by himself and three composed in collaboration with Chico Buarque, Celso Viáfora and Aldir Blanc; three songs by Chico Buarque and three by Antonio Adolfo himself.
To realize this project, Antonio Adolfo put together a group of talented and highly experienced musicians: Leo Amuedo (guitar), Jorge Helder (double bass), Rafael Barata (drums), Marcos Suzano (percussion) and Carol Saboya (vocals) in addition to Antonio’s impeccable piano. By prioritizing the rhythms that give the CD its title (the Choro and the Baião- genres which Guinga and Chico Buarque command masterfully) Antonio Adolfo is able to promote and crown such unity among these musicians that only enhances the pleasure of listening to them.
Amuedo’s guitar, played consicely, exemplifies the “less is more" approach. His intermezzo in “Dá o Pé, Loro" (Guinga) demonstrates how technique and emotions can run together, thus elevating him to a category of unmatched craftsmanship.
Jorge Helder’s double bass brings forth the assurance that any group needs to play with greater cohesion and groove. Just listen to “Morro Dos Irmãos" (Chico Buarque) and you will appreciate the efficiency of his touch.
Marcos Suzano on percussion, particularly when he is playing the pandeiro, would infuse a Brazilian flavor to a song even if he were playing with a Danish band (with all due respect!). To prove my point, just listen to Marcos and his pandeiro in “Di Menor" (Guinga and Celso Viáfora).
Rafael Barata plays the drums with the precision and skill of great drummers. Proof of his mastery can be heard in “Gota D’Água" (Chico Buarque) where he plays the cymbals with such delicate touch.
Carol Saboya sings “¨Você, Você" (Guinga and Chico Buarque). Her crystal clear voice is greatly animated when accompanied by her father’s piano; it is as if he were taking her by the hand and strolling by the ocean’s shore.
The album contains the above-mentioned and much more! A truly guaranteed winner. When Antonio Adolfo decided to combine his talent with that of Chico Buarque and Guinga, this CD had all the ingredients of becoming a great album … and it did! Let’s be clear and agree that music that sounds contemporary includes rich melodies, sophisticated harmony and arrangement. Also, the real modern sound is grounded on real talent that demonstrates innovation on every chord and beat. Chico Buarque, Guinga and Antonio are contemporary and modern and will always be one step ahead the so called “modern" commercial music.
Aquiles Rique Reis